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É apenas possível, agora,
trocar os movimentos vãos
que descrevi por
uma qualquer réstia de
adubo para tintas escuras
e outras cinco linhas
que ainda não existem,
desculpada a caneta ou mesmo eu.
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Meio país nunca foi tão pouco em força nem tão forte por o ser, assim, uma metade quase tão grande quanto o todo.
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Ode de ódio ao hipócrita apático
Não consigo parar de rebobinar
A conjuntura do inútil
Tenho o amanhã numa simples folha
E um pensamento a evita-la
Porque é demasiado, inútil
Não sei não saber
Que a terra caia se não entendo
Mas que sou eu?
Uma máquina de carne e osso
Em que malucos teorizam
A prática que querem ver
Mexer, sem objectivo nem rumo
Demasiado materialista e indeciso
Uma máquina de mudar o Norte
O inverso do invertido que não volta a si.
Os versos demasiado longos
E curtos,
Curto
E
Mais
Cur
to
Saber é não olhar para o fim a meio
Fumo e adoeço
E sinto-me mal
Cambaleio e fumo mais
Porque estar de saúde não é
Um prazer só por si
Assim como saber é só para os outros
Não saberem nada. Missão cumprida
O mundo é um acidente
Que demasiado pensa por demasiado
Ser mais fit e moderno que pouco
E abdicar é ser louvado
Esforço demorado vale mais
Que o visto imediato
Porque ele é bom aluno
Porque ele é bom rapaz
E ela? Ma-ra-vi-(ri)-lha
Incultos sem mercê
Fechados entre um livro espalmado
E a bola do outro lado da cara
Lá andam, a salvar-se uns aos outros
Louvável, miraculoso. Nada!
Não sei se serei mais, é facto
Mas sou para mim por inteiro
Que não, não sejam hipócritas,
Há quem não mereça viver
Não sou mas queria poder ser
Artista, esse que não pode ser
Menos de muito mais
Que a máquina
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Pousa o cansaço sobre o leito
Efémero e gentil suspiro
Na precipitação dos silogismos
Desnecessários à latitude das frentes
Que anseias encontrar a cada passo
Descalço de contrariedades e de infância
Os dias que passaram há muito
Apenas foram ao encontro do que és
E o firmamento está agora acima
Residindo aos pés do que andarás
Sempre em frente, mítica maré
Presente no teu só, ente pensamento
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Não compadece de incerteza
A falsa ponte que avança
por descer no culminar do tempo
Em choque com a razão
que não funde com o impulso
De querer agarrar o preço
Da curadoria de um espaço
Sem desejo de me pertencer
Caramba, que escrever enquanto penso
Nunca foi tão difícil
E é verdadeiramente inoportuna
A sede de o fazer
Por isso “caramba”
Repara que parar sempre custou
Ainda mais quando não o deveria fazer
Ou não queira eu formar rio sem cova.
Para regar a materialização do vazio
Tem-se mentes imensas, imensamente juntas,
Apedrejando-se como rebanhos de um cão rafeiro.
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